Página Inicial Data de criação : 08/07/14 Última actualização : 08/07/25 12:31 / 2 Artigos publicados
 

1  Inserido Friday 25 July 2008 12:31

Olho para o livro da minha vida e penso que será mais fácil viver e ser feliz se arrancar, uma a uma, as páginas do que vivi contigo. Então, com mãos decididas, arranco o dia em que te conheci, pico com pionés todos os beijos que te dei, corto com a tesoura as palavras que dissemos, utilizo o x-acto para afastar o teu corpo do meu. Apago, com borracha , os sonhos por realizar e com um compasso desenho dois círculos afastados para cada um de nós. Como se tudo isto não bastasse meto-te debaixo do pisa-papéis para que de lá não saias, para que a tua recordação de lá não volte. E se ainda não for suficiente e se mesmo assim insistires muito, meto-te num triturador de papéis para ter a certeza que vais desaparecer de vez. Com a vida em pedaços, olho para os destroços que se espalharam pela cama… e as lágrimas percorrem . Não quero que seja assim… dói ainda mais. Lentamente decido-me a fazer bricolage com a vida, e com Super-Cola 3, colo cada bocadinho de ti… cada bocadinho de mim… cada bocadinho de nós… apago com o que disse e não devia ter dito, e com corrector desfaço o que fiz e não devia ter feito. Com agulha e dedal volto a unir os nossos pedaços e com uma aguarela branca preparo-me para redesenhar um novo destino. Porque afinal, eu gosto “um bocadinho” de ti e estou aqui para ti, basta perceberes… basta quereres!

( Será que a bricolage não foi feita vezes demais ? ){#}

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Change  Inserido Friday 18 July 2008 14:22

Deixei para trás os sapatos de bailarina e segui um caminho incerto.
Esqueci-me das regras
Perdi a vergonha
Apaguei preconceitos
Revelei segredos
Extingui medos
Eliminei as dores
Respirei fundo
E nasci de novo.

-


Os meus pés estão cansados e a caminhada ainda não chegou ao fim.
Pergunto-me se algum dia encontrarei o que procuro, e pergunto-me também, o que estou procurando.
Lanço-me nas estradas, não olhando a distâncias, correndo riscos, mas sem traçar uma rota definitiva.
Por vezes perco-me e volto para trás, faço travagens bruscas, ando à boleia, mas frequentemente eu me questiono: será que alguém se pode perder sem saber sequer para onde quer ir?
Esta incerteza torna os meus passos inseguros, o meu olhar vacila nas direcções, o meu coração não se decide, e o vento engana-me de novo.
O meu sangue revela a minha travessia, o seu vermelho profundo, vivo, quente, vai manchando os caminhos por onde passei, as pedras onde me cortei, aqueles que conheci, os poucos que amei, os poucos que não esqueci.
Se tentar traçar um mapa, sei que o vento levará as linhas. Se construir um castelo, as ondas vão deitá-lo abaixo, mais cedo ou mais tarde.
Mas eu sei que nunca desaparecerei definitivamente.
Nem ventos, nem tempestades, nem ódios, nem o tempo, me vão apagar.
A razão é simples.
Nunca serei totalmente nada, porque deixo um bocado de mim em tudo o que toco, em todos os que conheço. Por vezes não deixo quase nada, apenas uma leve brisa que recorda a minha presença, e noutras vezes, deixo quase tudo, deixo parte do coração, deixo um pouco de amor.
E enquanto esta memória durar, as imagens, os textos, os abraços, as noites vividas, as amizades, os amores, as aventuras e desventuras, as virtudes

(e tudo o que me diz respeito,)

Nunca se irão por completo, enquanto alguém pensar em mim.
E num futuro longínquo, quando todos nós formos de novo apenas pó de estrelas no imenso espaço, o que eu criar agora, continuará a existir.
Porque a arte não morre nunca. Simplesmente, muda, transfigura-se, esconde-se, mas nunca se perderá.

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